sexta-feira, 20 de março de 2009

Vereadores de Montes Claros foram presos de pijamas


O dia seis de julho de dois mil e seis entrou para o lado triste da história da nossa cidade. A população, já acostumada com a "dança das cadeiras" da Câmara Municipal, entre cassações, retornos e afastamentos, aumentos gordos do próprio salário, farra de homenagens e de gasolina, ainda assim assistiu perplexa à prisão de oito dos quinze vereadores, de um suplente e ex-vereador, do contador da Casa Legislativa e de outros dois envolvidos, enquanto o sol nascia tão ingênuo naquela quinta-feira.
A chamada Operação POMBO-CORREIO, da Polícia Federal, foi um prato cheio para jornais locais, regionais e até nacionais, dos escritos, falados ou televisivos. Um episódio tão marcante que fez a eliminação do Brasil na copa para a rivalíssima França parecer corriqueiro para o povo.

De repente, em menos de dois meses, evidências que apontariam um esquema de notas frias se transformaram numa "organização criminosa operante no Legislativo municipal, voltada para a prática do desvio e apropriação de recursos públicos, provenientes da chamada Verba de Gabinete", e doze mandados de prisão, sob a suspeita da PF de que os investigados possam concretizar um acordo para que o ex-funcionário da agência terceirizada dos Correios assuma toda a responsabilidade pelo rombo aos cofres públicos, no valor estimado de 150 mil reais.

Mais curioso foi quando uma série de boatos se alastrou pela cidade, como se a cada meia hora um outro legislador pudesse ser preso. Entrou pelas ruas um triste desfile de vereadores e ex-vereadores soltos, para provar ao povo a improcedência das fofocas, como se quisessem dizer "olha, eu não fui preso não".

No mesmo dia, a reunião ordinária não foi realizada. Embora não tenha sido inédito o cancelamento devido à ausência dos legisladores municipais, inusitadamente, acredito que pela primeira vez na história do Brasil, uma cidade teve quórum mínimo de vereadores para que ocorresse uma sessão itinerante do Poder Legislativo no xadrez.
À tarde, ao ler a notícia "presos de pijama", de um informativo eletrônico, lembrei-me da Malásia, quando há uns cinco ou seis anos atrás, chegou a notícia de uma inusitada "gangue da cueca", que realizava roubos trajando somente roupas íntimas e pantufas, a fim de confundir suas vítimas, atrapalhando a identificação dos criminosos.
Enfim, espero muito que esta operação tenha sido abusiva e desnecessária, como pronunciou um parlamentar, diga-se, que não foi preso. Do contrário, fomos nós, montesclarenses, e os pobres dos pombos, as vítimas de tudo isso.
Fonte: Bem na Net
Postado por Pombo-Correio às 14:13

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