Quatro vereadores de Igarapava (446 km de SP) foram presos ontem acusados de tentar cobrar um "mensalinho" do prefeito da cidade, Francisco Tadeu Molina (PAN). Um quinto vereador acusado está foragido. Igarapava têm nove vereadores.
As prisões foram realizadas durante a reunião em que o prefeito e os vereadores estariam combinando o valor a ser pago. A quantia mensal pedida pelos vereadores seria de R$ 5 mil, por mês, para cada um deles. O presidente da Câmara, Alan Kardec de Mendonça (PSDB), saiu antes da chegada dos policiais e está foragido.
O flagrante ocorreu por volta das 11h30, na sede da prefeitura. Segundo o Ministério Público, o encontro entre Molina, Kardec e os vereadores José Eurípedes de Souza (PT), José Loudemiro (DEM), Roberto Silvério (PSDB) e Sérgio Augusto Freitas (PP) era monitorado após investigações mostrarem que o grupo "tentava obter vantagens em troca da aprovação de projetos".
A investigação foi causada por uma denúncia, anônima, que relatou a pressão dos vereadores sobre o prefeito. A apuração do esquema foi feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelos promotores de Igarapava.
Durante 15 dias, eles grampearam telefones e fizeram gravações de áudio e vídeo dos movimentos do grupo. Segundo o promotor de Igarapava Dílson Santiago de Souza, todas as escutas e gravações tiveram autorização judicial.
Outras reuniões, que também envolveram conversas sobre o "mensalinho", foram monitoradas. O prefeito de Igarapava não sabia da movimentação dos promotores e também chegou a ser investigado, segundo Souza, mas será ouvido no inquérito como vítima.
Após a prisão, foram feitas buscas nas casas dos vereadores e na Câmara. Na de José Eurípedes foram apreendidos cheques com valores que ultrapassam R$ 40 mil.
Os acusados estavam depondo na noite de ontem. Uma advogada deles contatada pela reportagem disse apenas que não tinha nada a declarar.
A pena para o crime pelo qual os vereadores são inicialmente acusados, concussão (extorsão exercida por agente público), é de dois a oito anos de prisão.
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