CUIABÁ (MT) - O Ministério Público de Mato Grosso denunciou nesta quarta-feira cinco vereadores de Nova Bandeirantes presos esta semana após serem filmados recebendo propina do prefeito da cidade, Valdir Mendes Barranco (PT). Eles vão responder processo por corrupção passiva, que prevê pena de dois a doze anos de cadeia. Um sexto parlamentar, que não aparece nas filmagens, também está denunciado e deve ser preso nas próximas horas.
O flagrante foi armado pelo prefeito e por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). As imagens foram captadas no gabinete da prefeitura. Temendo haver escutas no local, os vereadores não falam em valores, apenas escrevem em um papel, conforme mostram as imagens. Em seguida, Barranco passa a entregar maços de dinheiro aos parlamentares. O Gaeco os prendeu instantes depois, quando saíam da prefeitura com o dinheiro.
Segundo o Ministério Público, os vereadores queriam R$ 50 mil para aprovar as contas do município referentes ao ano de 2007. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já havia dado parecer pela aprovação. Valdir Mendes Barranco não conseguiu se reeleger.
Entre os acusados, está o presidente da Câmara Municipal, Jeremias Baiocho (PP), considerado pelo Ministério Público o mentor da chantagem. Dos presos, apenas ele e Adenílson Lúcio Otênio (PMDB) conseguiram se reeleger em 5 de outubro. Os outros acusados são Darci Antônio Vincentin (PMDB), Sandro Roberto da Silva (PP) e João Batista da Silva (DEM). O Gaeco não divulgou o nome do sexto acusado.
Nova Bandeirantes fica a 1026 quilômetros de Cuiabá, no Norte de Mato Grosso, e é uma das cidades mais pobres do estado. O acesso só é possível por estrada de chão. O único hospital não tem estrutura para atendimentos mais complexos. Em caso de emergência, pacientes precisam ser encaminhados para Alta Floresta, que fica a 200 quilômetros dali.
- As pessoas aqui morrem por falta de atendimento médico. Ver vereadores fazendo uma coisa destas nos choca - disse a promotora Fernanda Pawlec Vieira.
Além da denúncia criminal, a promotora também vai propor uma ação na esfera cível pedindo que os acusados sejam proibidos de ocupar cargos e contratar com a administração pública por dez anos.
O advogado Eron da Silva Lemes, que defende os cinco vereadores, negou que seus clientes tenham chantageado o prefeito. Segundo o defensor, eram os parlamentares quem estavam armando um flagrante contra Barranco, que teria oferecido dinheiro a eles.
- Meus clientes já haviam avisado a Polícia Civil sobre a tentativa de suborno. A idéia era pegar o dinheiro e depois confeccionar o boletim de ocorrência por corrupção ativa contra o prefeito. Só que o Gaeco os prendeu primeiro - disse o advogado.
A defesa dos vereadores fez constar no inquérito o depoimento de dois policiais civis, que garantem terem sido procurados pelos vereadores antes do flagrante. Por causa destes depoimentos, a promotora já informou que vai investigar os policiais.
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